#031 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

Play Video
Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Neste 31º episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda a análise do sexto dia da criação, conforme narrado no Livro de Gênesis, destacando a figura de Adão e a essência da poesia hebraica. O estudo contextualiza o texto bíblico dentro do cenário religioso das civilizações antigas, marcadas pelo politeísmo, e ressalta a mensagem revolucionária do monoteísmo judaico.

O que é estudado neste episódio

  • O sexto dia da criação e a figura de Adão: Retoma-se a análise do sexto dia da criação, com foco na predominância da figura de Adão, o homem terreno, e seu papel na narrativa.
  • Poesia hebraica e o contexto religioso antigo: Explora-se a natureza poética do texto de Gênesis e sua inserção em um debate religioso com as civilizações vizinhas, que eram politeístas e deificavam elementos da natureza.
  • Combate ao politeísmo e fortalecimento do monoteísmo: A Primeira Revelação, do Gênesis a Zacarias, é apresentada como um esforço contínuo para combater a idolatria e consolidar a crença em um Deus único.
  • A idolatria e suas manifestações sutis: Discute-se como a idolatria se sofisticou ao longo do tempo, manifestando-se no culto a bens materiais (Mamon) ou à beleza (Afrodite), e os sacrifícios que as pessoas fazem em nome desses “deuses”.
  • A mensagem central de Gênesis, capítulo 1: A principal mensagem é que tudo é criação divina, e somente Deus deve ser adorado, pois Ele não é parte da criação, mas o Criador.
  • A relação entre Deus, Espírito e matéria: À luz do Espiritismo, aborda-se a distinção entre Deus, Espírito e matéria, enfatizando que Deus está além de toda a criação.
  • A lei de adoração: A adoração é apresentada como uma lei universal, e a importância de colocar Deus no centro, evitando a idolatria de criaturas ou coisas.
  • O choro de Jesus no Monte das Oliveiras: Uma reflexão sobre o significado do choro de Jesus antes da crucificação, interpretado não como medo da morte, mas como a dor de ver a humanidade rejeitar a solução para seus problemas e a submissão à vontade divina.
  • O homem como administrador e co-criador: Gênesis 1 eleva o ser humano a uma condição semidivina, imagem e semelhança de Deus, dotado de atributos divinos e com a responsabilidade de administrar e aperfeiçoar a criação.
  • A parábola do administrador infiel: Jesus retoma o tema do homem como administrador, destacando a responsabilidade e a prestação de contas.
  • A Estrela de Davi como símbolo da Primeira Revelação: A Estrela de Davi é interpretada como um símbolo que representa a relação entre Deus, o homem e a natureza, e os processos de criação, revelação e regeneração.
  • A revelação divina: A revelação é um processo contínuo e gradual, onde Deus se mostra à medida que a criatura evolui, sendo impossível para um ser limitado compreender o infinito de uma só vez.
  • Responsabilidade e destino: A vida é um convite à administração e à cocriação, onde as ações do homem geram respostas da natureza e do destino, que não é um adversário, mas um reflexo do que lançamos.

Reflexões

  • A idolatria, mesmo em tempos modernos, se manifesta de formas sutis, levando ao sacrifício de valores essenciais em nome de bens materiais ou da busca incessante pela juventude e beleza, desviando o foco da adoração ao Criador.
  • A profunda mensagem do Gênesis, reiterada por Jesus e pelo Espiritismo, é que o ser humano é um co-criador e administrador da obra divina, dotado de potenciais divinos e com a responsabilidade de aperfeiçoar a si mesmo e o mundo ao seu redor.
  • A revelação divina é um processo contínuo e gradual, adaptado à capacidade de compreensão da criatura, e a responsabilidade individual é um pilar fundamental da evolução, onde cada um responde pelas suas ações no tribunal da consciência.

Ler transcrição do episódio

Nesta segunda temporada do Gênesis, que se iniciou na semana passada, nós começamos a examinar o sexto dia da criação e recordamos que, no sexto dia, a figura predominante de Adão. Hoje, nós gostaríamos de retomar alguns pontos deste sexto dia e abrir alguns aspectos para a nossa reflexão. Já comentamos aqui que se trata de um texto poético, escrito de acordo com uma técnica literária do povo hebreu, portanto, é uma poesia hebraica. A poesia hebraica tem as suas regras, os seus cânones, as suas características, mas nós precisamos comentar sobre a literatura do entorno.

Qual era a literatura das civilizações vizinhas do povo hebreu na época da redação do texto de Gênesis? Comentar isto, assim, muito rapidamente, porque o texto de Gênesis é um debate, ou melhor, ele se insere em um debate religioso, que é o debate destas civilizações vizinhas do povo hebreu. E, nestas civilizações, havia um politeísmo gigantesco. Eram civilizações, também, que criavam as suas poesias, criavam os seus textos literários com muito talento, com muita beleza. Nós percebemos isto, por exemplo, em uma literatura muito antiga grega, de Homero, e, com certeza, bebe em fontes muito mais antigas da Grécia, que é a Ilíada e a Odisseia.

Nestes poemas gregos, nós vemos a presença de vários deuses e, geralmente, estes deuses estão ligados a poderes da natureza. O relâmpago, o céu, o mar, a terra, todos estes elementos naturais, o interior do mar, os animais marinhos, eles são deificados. Você constrói um mito, uma narrativa, genealógica, também, da origem destes deuses. Nós vemos isto, por exemplo, em um grande autor, que é o autor da base da cultura grega, que é Hesíodo, o trabalho dos dias, por exemplo, a obra do Hesíodo, onde ele vai narrar como surgem os deuses, uma família de deuses que acaba desembocando ou chegando no Olimpo com uma sucessão de mortes, assassinatos, etc.

Embora a gente olhe para esta literatura, hoje, como literatura, o certo é que as pessoas da época realmente encaravam estes textos como textos religiosos e eles construíam altares para estes deuses, eles cultuavam estes deuses. E, quando a gente lê, atentamente, os romances de Emmanuel, vai ver que Roma é credura desta tradição religiosa. Então, na cidade de Roma, em vários lugares, você tem templos e se cultuava a deusa da terra, Deméter, o deus da cura, o deus-sol, deuses mesmo, a natureza deificada e cultuada. Isto é um fenômeno natural da evolução.

André Luiz fala, no Evolução em dois mundos, que o temor é o berço rústico da fé. O Sr. Honório adorava dizer isto, adorava abordar este aspecto. E, de fato, a gente pensa, reflete com André Luiz que o temor levou a transformar em deuses o mar, o relâmpago, a ventania, a própria terra, porque são poderes que escapam ou escapavam. Alguns, até hoje, escapam, mas, sobretudo, naquela época, escapavam quase completamente ao controle do ser humano. Então, o ser humano não tem controle sobre o mar, ele não tem controle sobre a terra, um controle total sobre a terra.

Em uma determinada época, ele plantava, fazia todo o esforço e não frutificava nada. Aquilo significava um ano de fome e podia até comprometer a vida da comunidade, o relâmpago, a tempestade, etc. Então, o medo, principalmente no homem primitivo, no homem primata, leva a encarar isto como deuses, estes fenômenos da natureza. O que acontece, então, no Espírito em evolução? O politeísmo cria raízes muito profundas no psiquismo do Espírito e, mesmo quando ele avança na evolução, ele ainda conserva traços de politeísmo.

E, nós poderíamos dizer que toda a primeira revelação, como um todo, do livro Gênesis até Zacarias, O Último Profeta, todos os livros da Bíblia, eles têm uma meta, um trabalho, é combater o politeísmo e fortalecer o monoteísmo. Isto pode parecer simples, pode parecer muito simples, mas não é. Alguns autores, alguns filósofos e comentadores bíblicos, afirmam, com muita veemência, que nós, ainda hoje, na maioria, a comunidade humana é idólatra. Por quê? Por que fazem uma afirmação tão severa? Vamos entender a questão do monoteísmo, porque nós pensamos que o monoteísmo é simplesmente a acreditação de que há um Deus único.

Mas, esta é a fase mais inicial do monoteísmo. Este é o alimento do recém-nascido, é o leite de peito. Você trabalhar intelectualmente, não existe um Deus, um Deus único. Eu acredito ou eu não acredito neste Deus único? Isto é a fase inicial, porque o problema do politeísmo é o culto aos outros Deuses. Em que consiste o culto? Consiste em uma parte que é interna, que é íntima, que é a adoração, o afeto, o amor, a simpatia, a entrega afetiva e uma parte exterior, que é o sacrifício. Todo o culto antigo baseava-se na sua manifestação externa em um sacrifício oferecido aos Deuses.

Vamos fazer uma pausa neste raciocínio. Por que nós estamos comentando isto? Todo o capítulo 1 de Gênesis, que culmina no sexto dia, ele tem uma função. Ele vai dizer, subliminarmente, que o céu foi criado por Deus, a terra foi criada por Deus, o sol foi criado por Deus, a lua foi criada por Deus, as estrelas foram criadas por Deus, tudo o que está sobre a Terra – os vegetais, os animais – tudo foi criado por Deus. Portanto, estes elementos não são Deuses. É uma mensagem muito corajosa, porque nós precisamos entender que esta mensagem foi proclamada dois mil e quinhentos anos antes de Cristo.

E, não precisa ir longe, Paulo de Tarso quase perdeu a vida, quando chegou em alguns locais, observamos isto no Paulo Estevam, em Éfeso, por exemplo, ele quase perdeu a vida, quando começou a falar de um Deus único e vincular esta mensagem do Deus único ao Evangelho de Jesus. Por quê? Porque toda a estrutura econômica, de sustentabilidade econômica de Éfeso girava em torno da idolatria. Várias famílias viviam do comércio, a cidade se movimentava em torno da adoração e da oferenda de sacrifícios àqueles Deuses. É importante a gente pensar nisto, porque, senão, a gente faz também uma leitura ingênua deste texto.

O texto é uma reafirmação. Só há um Deus, não há Deuses. Não há Deuses. Só há Deus. Só Deus deve ser adorado. Adorado. Nós podemos respeitar tudo mais. E, a ideia aqui é de respeito. Tudo tem que ser respeitado, tudo tem que ser administrado, tudo tem que ser gerido, conduzido, dirigido, mas adorado só o Deus único. Este é um problema. Este é um problema, porque, como nós temos, na nossa jornada evolutiva, nós temos milhares de séculos voltados para a idolatria. E, o que acontece com a idolatria? Ela vai se sofisticando.

À medida que o intelecto vai avançando, a idolatria se sofistica. Por isso que estes comentaristas dizem assim a humanidade, hoje, na sua maioria, é idólatra. Como é que nós vamos entender isto? E, aqui, é preciso muito cuidado para nós também não começarmos a fazer um discurso fundamentalista, extremista, radical e, também, não desrespeitar o sentimento de reverência das pessoas. Por quê? Reverência, gratidão, respeito, nós devemos ter. É um sentimento que o Evangelho aconselha. Mas, a idolatria é diferente. A idolatria é um exagero.

Vamos imaginar, hoje, um Deus, um grande Deus, que é o Deus da Antiguidade, também. Nós poderíamos dizer que, hoje, o grande Deus adorado é Mamon, que é o dinheiro. A maioria das civilizações superavançadas idolatram o dinheiro. Políticas, processos educacionais, mesmo o processo religioso, em si, ele gira em torno do dinheiro. Então, Mamon é adorado. Eu, mesmo, ficaria muito feliz se eu ganhasse na Mega. Não teria nenhum problema. Então, é uma adoração, é uma afeição. E, se nós imaginarmos toda a propaganda do planeta, ela é uma propaganda que estimula a adorar os bens, bens que, para possuí-los, não raro, você precisa de uma boa quantidade de dinheiro.

Então, é uma adoração. E, a questão se complica, porque, se você adora um Deus, você sacrifica por Ele. Então, tem pessoa, por exemplo, muitos de nós, vamos dizer assim, muitos de nós sacrificam a vida familiar por causa do dinheiro. Então, quantos não se impõem uma jornada, e mesmo estruturas de empresa, metas de empresa não são estruturadas, não são pensadas para você trabalhar dezesseis, dezessete horas por dia e ser tido isso como um valor, um valor, uma competência. Ele é competente. Ele não tem tempo para ficar com a família, ele só trabalha.

Nossa, que coisa bonita isso, não é? Então, ele está sacrificando ao Deus uma mão. Então, percebe como é que a idolatria vai ficando sutil? Nós, por exemplo, tomamos um cuidado muito grande para não confundir respeito e reverência a um expositor, a um médium, a um espírito, ao Dr. Bezerra, ao Fabiano de Cristo, ao Emmanuel, ao Chico, não transformar isso em idolatria, porque, aí, eu perco a minha relação com Deus, o Todo-Poderoso, e eu passo a orar, a adorar, a me relacionar apenas com aquela figura, que é a criatura.

Ela não é Deus. Ela não é Deus. Então, a mensagem profunda, a mensagem profunda de Gênesis, capítulo 1, que se encerra, aqui, com este sexto dia, nós estamos encerrando o capítulo 1, com estes estudos de agora, do sexto dia, ela está dizendo, assim, cuidado, tudo é criação divina, só Deus, só Deus deve ser adorado, só Ele é Deus e Ele não é criação. A criação é uma coisa e Deus é outra. Deus é outra. E, na verdade, o Espiritismo, como é um prosseguimento deste projeto de espiritualização da alma humana encarnada, um projeto que se iniciou lá com Moisés, teve a sua centralidade com Cristo e teve o seu prosseguimento com o Espiritismo, lá no Livro dos Espíritos, nós vamos encontrar três elementos gerais, matéria, Espírito, um está sempre em relação com o outro e, o terceiro elemento, Deus.

Deus é Deus. Ele não é nem Espírito, nem matéria. Ele é Deus, porque Espírito é criação de Deus. Então, olha que coisa profunda isto. Deus é para além de toda a criação, incluindo o Espírito. E, todo o elemento material. E, na terceira parte do Livro dos Espíritos, as leis morais, Kardec inicia ou organiza exatamente pela lei de adoração. A adoração é uma lei. Todos nós adoramos e, se você tira Deus do lugar central, você vai colocar outra pessoa ou outra coisa ou algo você vai colocar. Algo você vai colocar. Nós temos uma outra deusa, esta é muito adorada.

Esta é adorada e é difícil tirar esta deusa da centralidade que ela ocupa hoje no mundo, porque você tem todo um sistema econômico que gera bilhões em torno desta deusa, que é a Afrodite. É a deusa da beleza. Quanto que a beleza, a juventude, a sensualidade não é cultuada hoje? E, quanto não se sacrifica? Nunca, no mundo, os seres humanos tiveram tanta dificuldade de envelhecer como hoje. A pessoa não quer envelhecer. É uma luta. E, ela quase que, ávidamente, violentamente, ela luta com o processo do envelhecimento.

Ela luta com o processo do envelhecimento. É uma coisa séria, porque ele está oculto. Outro dia, eu assustei, porque o João chegou e falou para mim, Pai, e, olhando para mim, eu falei, Nossa, será que tem alguma coisa? Você está com os cabelos brancos. E, assim, assustado. E, aí, eu entendi. É uma mensagem subliminar que é passada para nós. Eu falei, é, filho, mas, é natural isso. É natural. Mas, hoje, é um horror, não é? É um horror. Claro, nós estamos aqui tendo todo o cuidado de não partir para um fanatismo, para um fundamentalismo.

Claro que nós temos que nos cuidar, cuidar da saúde, ter um envelhecimento saudável, fazer de tudo o que for possível para que o nosso envelhecimento se dê de uma maneira saudável e tranquila, para ter uma qualidade de vida. Este equilíbrio é fundamental. Precisamos cuidar do corpo, porque ele é uma dádiva. O que nós precisamos evitar é a idolatria, porque, aí, você começa a sacrificar tudo o que você tem à deusa Afrodite, que é a deusa da beleza. E, o certo é o seguinte, a beleza é fugaz. Já dizia o grande filósofo, não grego, mas brasileiro, Lula Santos, a beleza é fugaz.

Então, olha que coisa profunda isto. E, aqui, nós vamos vendo, então, que Gênesis está dizendo que Deus não é o faraó, Deus não é o sacerdote, não é o sacerdote, Deus é Deus. E, nós temos um momento que que poucos compreendem, no Evangelho, que é o choro de Jesus no Monte das Oliveiras, em Jerusalém, momentos que precedem a crucificação, porque nós temos uma tendência de querer trazer Jesus para o nosso tamanho, porque ele é tão monumental que nós não damos conta, e, então, nós temos que diminuí-lo para dar conta de aceitá-lo.

Então, Jesus ficou com medo de morrer. Aí, Ele chorou e disse que estava com medo demais, afasta-se de mim este cárnice. E, nós lembramos, me recordo uma visita a Febe, do Rio de Janeiro, onde eu ouvi um caso maravilhoso, de uma senhorinha lá dizendo que hoje ela já deve ter desencarnado, eu acho, e ela contando que quando recebeu a ligação da Ivone, da médium Ivone, Ivone Pereira do Amaral, e a Ivone, porque eles sempre ajudavam ela, ela já estava mais velha, e tinham uns amigos da Febe que pegavam ela, levavam ela para receber o salário, etc., faziam que ela ajudasse.

E, estava no dia de fazer isto. Ela disse que hoje o pessoal não precisa vir, porque iria fazer uma viagem. E, a senhora, tadinha, vai viajar? É, eu vou viajar. Então, você fala para o Vantuil. Aí, passou a manhã, ela chegou lá e a dona Ivone disse que iria viajar. Vai viajar? Como assim? Viajar como? E, você não ofereceu para alguém com ela? Ela falou que, nesta viagem, ela vai sozinha, não tem como ir com ela. Mas, você não se preocupa, não, porque ela disse que vai ser dez e meia da noite e quem vai buscá-la é o doutor Bezerra de Menezes.

Aí, a Ivone vai desencarnar. Foi dito e feito. Ela deu entrada no hospital, dez e meia desencarnou. Então, se Ivone Pereira ligou tranquilamente para os amigos da Febe, dizendo assim, fique tranquilo, hoje, dez e meia da noite, eu vou desencarnar, porque o doutor Bezerra de Menezes me avisou e ele vai me buscar. Imagina Jesus. Então, a gente imaginar que, diante dos momentos que antecedem a crucificação, Jesus estava apavorado porque ia desencarnar, é o texto de Emmanuel, é uma infantilidade da nossa parte. Chega a ser infantil.

Chega a ser infantil. Então, por que Jesus chorava? Eu não sei. Eu duvido de quem saiba, porque encontrar um encarnado que seja capaz de devassar os sentimentos profundos do Cristo, eu acho difícil. Eu tento imaginar. O governador espiritual da Terra, sondando o futuro, olhando aquele quadro em que a humanidade rejeitava a solução definitiva dos seus problemas espirituais e sociais, os quadros que se desdobrariam em função daquela rejeição dele e da rejeição do Evangelho, e o que ele, o que ele, em função do amor que ele tinha pela humanidade, o que ele gostaria de fazer.

Porque é só você imaginar assim, você diante de um filho, de uma filha, de uma esposa, de um marido, de uma pessoa que você ama muito, de um pai, de uma mãe, de uma pessoa que você ama muito e que está tomando uma decisão completamente equivocada e você tem certeza absoluta que aquela decisão vai trazer profundo sofrimento para aquela criatura e você, naquele lanceiro, vai falar, meu Deus, eu gostaria tanto de poder conversar com ela, eu queria reverter este quadro. Então, daí, nós fazemos uma ideia do sentimento que tomou conta do nosso governador espiritual.

Imagino eu, imagino eu, mas o que é o lindo desta lição é que o Cristo diz assim mas não seja feita a tua vontade pai, não seja feita a minha vontade pai, mas a tua, mas a tua. Isto é até difícil, porque sai do nosso é o Cristo dizendo assim, eu tenho todo o amor pela humanidade, eu tenho um sonho para a humanidade, eu tenho um projeto para ela, mas, pai, você é Deus, eu sou apenas um Cristo planetário, eu sou apenas um Cristo planetário, eu só formei a Terra, eu só estou aqui tem cinco bilhões de anos, mas, tu, pai, é o Todo-Poderoso, é o Deus de toda a eternidade, seja feita a tua vontade.

E, foi feita. E, a partir deste momento, é tão sublime isto, porque ele recebeu a resposta, tanto que ele desceu e se entregou. Quando o Simão tira a espada, corta a orelha do do soldado e ele repõe a orelha, a partir daquele momento, ele diz para ele bainhar a espada e diz, se eu quisesse, eu pediria ao pai e ele me enviaria legiões de anjos. Você não está entendendo, a questão aqui não é de poder, não é o que eu posso fazer ou o que eu não posso fazer, a questão aqui é de aceitar a vontade soberana de Deus, que é melhor que a minha, então, eu vou me entregar, porque esta é a vontade dele.

Nesta conjuntura, a vontade de Deus é esta, e, a partir daquele momento, o Cristo é o silêncio vivo, mas, um silêncio ativo. Isto é maravilhoso, isto volta ao capítulo 1. Volta ao capítulo 1, por quê? Porque o homem, o Adão, o terreno, o homem da terra, que isto aqui é o Adão, é o terreno, o terráqueo, se preferir, o terráqueo fica meio esquisito, o terreno, ele está entre a criação e Deus. O que chama mais atenção na narrativa do sexto dia é que Deus, primeiro, se relaciona com Adão. Ele não faz isto com o peixe, não faz isto com o vegetal, não faz isto com os animais da terra.

É esta espécie que tem condições de se relacionar com Deus. Nós sabemos. Lendo a evolução em dois mundos, a gente vai entender. O princípio inteligente vai evoluindo e evoluindo e, quando ele chega na fase de humanidade, aí ele começa a entrar na fase do relacionamento com Deus. Relacionamento com Deus se chama religião, religiosidade. Isto é religiosidade. Religiosidade é isto, relacionamento com Deus, relação, convivência. Mas, aqui, tem um aspecto curioso, porque Deus entrega parte da gerência ao homem. Então, nós poderíamos dizer que há dois aspectos maravilhosos, no capítulo 1 de Gênesis.

Primeiro, tudo é criação, só há um Criador. E, o homem, o ser humano, é elevado a uma condição semidivina. Ele é co-criador, porque ele é efeito à imagem de Deus. Ele é um reflexo de Deus. Isto significa dizer que ele é dotado de atributos divinos. Olha que coisa linda isto! E, semelhante a Deus. Por que semelhante? Não é igual. É aqui que está o ponto, gente. Por isso, por isso, que o Chico, por exemplo, tinha muito cuidado de evitar que as pessoas o transformassem no Todo-Poderoso e começassem a adorar o Chico e transformaram-no no Senhor Supremo do Universo.

Há todo momento, nós percebemos este cuidado no Kardec, aliás, percebemos este cuidado em todo mundo que tem juízo, em todo mundo que tem juízo. O homem, o ser humano, dotado de potenciais divinos, passa a ser, vamos usar uma palavra mágica aqui, que é o segundo aspecto mais maravilhoso de tudo, semelhante a Deus. Então, Ele é co-criador. Ou, como diz Emmanuel, Ele é condomínio, porque nós moramos com Deus. Deus é nosso vizinho, ou melhor, nós somos vizinhos dEle e Somos administradores. Jesus vai retomar o capítulo 1 de Gênesis, sobretudo, neste sexto dia, quando Ele conta a parábola do administrador infiel.

A parábola do administrador infiel é a parábola que resume o processo evolutivo, porque o ser humano é administrador. Se Ele é administrador, isso significa que Deus não faz tudo. Uma parte Ele delega, e acompanha, porque tem prestação de contas. A parábola deixa isto claro. É entregue, é delegado, mas, depois, vem a prestação de contas, com as sanções, inclusive, com destituição. É um aspecto que, às vezes, nos escapa. Há mensagem maravilhosa maravilhosa de Gênesis, no final do capítulo 1, ou seja, no sexto dia, nós somos herdeiros, herdeiros do Pai coerdeiros do Cristo.

Já dizia Paulo, herdeiros do Pai coerdeiros do Cristo. Somos administradores. Tudo está sob a nossa administração, como a supervisão de Deus e leis perfeitas que nos mostram que o mundo se amolda à ação que eu exerço sobre Ele. Então, Ele responde a mim de acordo com o que eu dou a Ele. Isto, também, é algo maravilhoso. Muitas vezes, nós imaginamos tragédias que ocorrem, fenômenos que ocorrem, processos que ocorrem na evolução, e nós imaginamos que tudo é um carma, eu fiz alguma coisa e estou resgatando. Não! Muitas vezes, é uma resposta também da natureza, a maneira como ela está sendo tratada, porque nós somos administradores.

Esta é uma mensagem muito bonita. E, aí, isto nos vem a ser um ponto culminante, porque este é um elemento fundamental da revelação divina. Só há um Deus, mas há vários Deuses, criaturas, co-gestoras, co-criadores, e há uma escala de co-criadores. Há co-criação em plano menor, há co-criação em plano maior e há uma escala que varia quase que ao infinito. O certo é que cada um de nós cria a vida e o seu destino, mas cria no tempo, não é uma criação instantânea. A nossa situação de hoje reflete um jogo de circunstâncias do passado, que estão desembocando hoje.

Mas, o amanhã será, também, uma resultante da maneira como nós estamos lidando com tudo isto, com todas estas variáveis e o que nós estamos construindo. Esta é a ideia do administrador. Muitas parábolas de Jesus vão tocar neste assunto, retomando o Gênesis, retomando o papel do homem. O homem, na primeira revelação, e, portanto, o homem no Evangelho e o homem no Espiritismo, é um ser divino. Dotado de potenciais divinos, com amplo poder de administração e de escolha. E, quanto mais ele evolui, mais autonomia, mais responsabilidade, mais ampliação na sua atuação.

Mais gestor ele se torna, evidentemente, sempre, sempre, eternamente, sob a supervisão do Todo-Poderoso. Este elemento. Esta mensagem é tão central que ela está refletida no símbolo da primeira revelação. O povo hebreu tem um símbolo que o define e, quando nós dizemos aqui do povo hebreu, nós estamos falando dele que eles são os guardiões, os guardiões da primeira revelação. Ou, como diz Paulo em Romanos, qual a vantagem de ser hebreu? Nenhuma, ele diz muita, porque eles são os que guardam os oráculos de Deus. Alicesse da primeira revelação.

E, o símbolo deles é a estrela de Davi, um triângulo assim, e um triângulo assim, invertido. Dois triângulos. Na primeira ponta deste triângulo, Deus. Na segunda ponta aqui, na base do triângulo, Adão, homem. Homem, no sentido de humanidade. A terceira ponta do triângulo, natureza, ou matéria, ou a criação. Natureza é melhor, a natureza, porque inclui a terra, os minerais, os vegetais, os animais, os astros, tudo. Deus, o homem, é a natureza. E, aí, você sobrepõe o outro triângulo, que vai fazer isto aqui. Então, entre Deus e o homem, eu vou ter uma ponta.

Entre Deus e a natureza, eu vou ter outra ponta. E, entre o homem e a natureza, eu vou ter outra ponta. O que eu estou trazendo aqui são reflexões da mística judaica, da Kabbalah, de outros aspectos da mística judaica. Aprendi isto na sinagoga, aqui em Belo Horizonte, só para dar referência, com o Rabino Alanate. Entre Deus e a natureza, que ponta é esta? Criação. Entre Deus e a natureza, criação. A criação. Entre Deus e o homem, revelação. Entre o homem e a natureza, regeneração ou redenção. Ou seja, Deus se relaciona com a matéria, Deus se relaciona com o homem.

Deus se relaciona com a matéria, Criador. É o Criador, por excelência. Nós somos co-criadores. Nós co-criamos na matéria, mas Ele cria. Só Ele cria para toda a eternidade. A relação de Deus com o homem, revelação, porque Deus se revela. Mas, revelação, vamos só fazer um ajuste aqui. A gente acha que revelação é assim. Gente, eu estou com um livro aqui, é a quinta revelação. Isso é uma bobagem. Revelação é A maneira como Deus se relaciona com as criaturas. Isso é lindo, gente. Por quê? Como que um lambari bebe a água do rio São Francisco inteira?

Alguém aí, por favor, me ajuda. Como? Devagarzinho. Eternamente, ele vai bebendo. Não é? Não é isso? É impossível, não é? Então, como que um lambari, que está em um trecho de São Francisco, tem acesso a água que está vinte quilômetros antes dele? Não tem acesso. Então, o que que os sábios refletem? Principalmente, o Einstein, eu adoro ele, porque ele faz essa reflexão, o Levinas, que já eram feitos desde lá de trás, Rambam, Maimônio, já faziam esse tipo de reflexão no livro O Guia dos Perplexos. Ele dizia assim, e eu vou adaptar isso a nossa mentalidade espírita, imagina o ser espiritual mais evoluído do universo.

Só uma imaginação. Ele foi criado simples e ignorante. Que bom! Ele é do tamanho de Deus? Não. Ele é limitado. Ele é limitado. Como é que um ser limitado tem acesso ao infinito? Não tem. Então, os sábios vão dizer assim, nós só conhecemos de Deus o que Ele nos mostra. Então, imagina a Lua. A Lua é um exemplo bonito. Você vê a Lua, minguante, crescente, cheia, mas você só vê uma face dela. Em razão do movimento da Terra em torno do próprio eixo, em torno do Sol, da Lua, ela sempre está com o mesmo lado do rosto para nós e nós não vemos o outro lado.

Deus também. Existe uma parte oculta de Deus e Ele se revela aos poucos. O problema é que a parte oculta dEle é infinita. E, tem um outro problema. Como Ele é o Todo-Poderoso, você só o acessa se Ele permitir. Então, aqui tem um conceito profundo. Que conceito profundo é este? Deus não tem a verdade. Deus é a verdade e ela é revelada por Ele. Por Ele. Ele se revela aos poucos. Então, o relacionamento da criatura com Deus é assim. Eu sou limitado e Ele é absoluto, infinito. Então, eu aguardo Ele se revelar. À medida que a evolução vai se processando, Ele vai se revelando.

E o relacionamento do homem com a natureza, com a matéria, é regeneração. Porque, aí sim, Ele é co-criador. Ele é administrador. Pode ser um administrador fiel ou um administrador infiel. Mas, é função do Adão aperfeiçoar, co-criar, melhorar. Então, isso é algo maravilhoso. Por quê? Vamos imaginar simples o Adão mesmo, o homem terreno. Onde se revela o aspecto co-criador da humanidade? Na cultura. Então, quando os primeiros homens pegaram pedras e fizeram um muro, que é a base da arquitetura, nascia a arquitetura. Quando começaram a pegar alguns animais, fazer um cercado e domesticar, começava o processo de criação de animais.

Quando ele começou a arar a terra e plantar ali, começou o cultivo. Ele começa a agir nessa natureza, aperfeiçoando-a. E, hoje, nós temos um físico, que é quase um filósofo, Michio Kaku, de Nova York. O Michio Kaku tem um livro instigante, muito instigante, porque ele é um dos criadores da teoria das cordas, que é uma teoria que promete muito ainda, mas é uma teoria, e um cosmólogo. Então, nessa amplidão do universo conhecido hoje, ele fala assim, nós temos que imaginar uma civilização nível um civilização nível dois, três, quatro, cinco.

E, aí, ele adota um critério bem objetivo, bem coisa de americano mesmo, ou naturalizada americana, em coisa de novaiorquino. Olha, civilização um é o seguinte, ela não tem domínio sobre nenhum dos aspectos energéticos e da natureza do globo, do planeta onde ela está. Civilização nível dois, ela tem total domínio de todas as fontes energéticas de tudo do globo. Nós não somos nem civilização dois ainda. Então, ela teria um controle total de clima, energia, tudo de um planeta. Civilização nível três, teria o controle de um sistema solar.

Civilização nível quatro, e aí ele vai. Então, tirando aí os aspectos especulativos, mas é interessante, vamos pensar, é bastante interessante pensar assim. Porque, cada vez mais, nós começamos a prever o clima, ter um controle sobre o clima, um controle sobre o solo, correção do solo, agricultura. Nós estamos num processo em que, se o desenvolvimento moral permitir, se o nosso desenvolvimento moral permitir, mas vai permitir, porque existe degredo para isto. Vamos atingir um nível de total controle sobre todos os aspectos energéticos do planeta.

Domina todos os aspectos energéticos. Energia solar, clima, acabou. Deslocamento. É o Adão. É o Adão. Semelhança de Deus, por isto que ele é administrador, imagem do Criador. E, é o apelo maravilhoso do Salmo, repetido por Jesus. Quando diz assim Jesus, não leste, vós sois deuses? Vós sois deuses. Jesus está fazendo referência. Aliás, Jesus adorava Gênesis. Quando perguntaram a ele sobre o divórcio, ele voltou a Gênesis. Este dia, que nós estamos estudando aqui, o sexto dia, voltou para o texto de Gênesis. A todo momento, ele contava uma parábola, sem fazer referência aos capítulos iniciais de Gênesis.

Na aula que vem, nós vamos trabalhar sobre Alma vivente. Adão, Alma vivente. A grande dicotomia, o paradoxo que Paulo vai criar, a dialética de Paulo, no capítulo 15, da Primeira Carta aos Coríntios, quando vai comparar Cristo ao segundo Adão, não mais Alma vivente, mas Espírito que dá vida. Então, um é a Alma viva e o outro é o Espírito que dá vida, o segundo Adão. Nós vamos ver um pouco sobre isto, a palavra, vamos navegar nisto. Mas, aqui, eu queria só trazer a lembrança, para a gente encerrar, que nós comentamos sobre este aspecto da estrela de Davi que ela revela o capítulo 1, sexto dia da criação.

Ela revela Deus, o Criador, o homem, o administrador, o co-criador e a natureza. E, a gente percebe que nosso lar tem a forma da estrela de Davi. E, o curioso é que, em cada ponta, você tem um ministério. Eu vou dar só a dica. Na primeira ponta, está Deus. Primeiro ministério, união divina. União divina. Então, só para a gente entender como é que isto foi pensado. Os arquitetos que projetaram a cidade de nosso lar, como os que projetaram Brasília, tinham um plano mesmo. Foi tudo, olha, isto aqui vai ser assim, deste jeito.

Foi planejado. Planejado. O ministério da união divina. Depois, a gente faz as associações. Está lá Deus, o homem, a natureza, revelação, regeneração ou redenção e, aqui, criação. As seis pontas que remetem a este aspecto fundamental. Então, era isto que a gente gostaria de avançar. Isto traz desdobramentos e Quero trazer, também, semana que vem, dois livros. Um livro que vai falar desta palavra Nefesh e um outro que vai falar sobre o aspecto fundamental de tudo isto que nós dissemos, que é responsabilidade. O sexto dia da criação vai dizer, assim, existe um Deus, Ele é todo-poderoso e é só um.

Ele é soberano, mas as suas criaturas são administradoras, portanto, são responsáveis. Responsabilidade significa responder a. Deus propõe e o homem responde. O homem age, o homem enquanto ser humano, não o homem mulher, o ser humano, age, mas Ele responde. Ele precisa lidar com a reação da sua ação. Isto é muito mais bonito do que falar em pagar, em karma, em débito. É mais profundo. O homem, o ser humano, responsável, responsável e responsabilizado. Ele responde, assume, não há imunidade, não há foro privilegiado.

Todos nós respondemos no mesmo tribunal, que é o da consciência. Somos responsáveis. Isto é bom ter coisas maravilhosas e pode ter coisas horríveis também, depende do que você faz. É só responsabilidade. Isto é muito importante, porque quando nós vamos tratar do problema do ser, do destino e da dor, nós, às vezes, temos uma visão de encarar o destino como um adversário. Outro dia, eu até li uma frase que eu adorei. Eu fui brincar de lutinha com a vida e estou apanhando até hoje. Então, nós temos esta ideia do destino que vem e nos agride, nos ataca.

Mas, na verdade, o destino é como uma onda do mar. Ele só está de volta para a praia o que nós lançamos. Isto é ruim. Enxergar não é bom. Jesus já dizia isto. Se fossem cegos, não teriam este pecado. Enxergar é ruim. É um negócio desconcertante, porque as coisas vêm e acontecem com você e você diz assim que a vida só está devolvendo para você algo que você lançou para quê? Para se desafiar na administração. Amanhã tem uma frase assim, a vida nos traz de volta, como um rio, a vida nos traz de volta, que a gente não lançou.

E, aí, Júlio, é um convite a administra. Agora, administra isto diferente. Antes, você lidou com estes elementos desta maneira. Agora, faça algo. Administre. É o chamado, o chamado de Adão. Domine sobre as aves do céu, domine sobre os répteis, domine sobre até o encargo que foi dado a Adão de ser o gestor. E, esta questão do ser, do destino e dor, ela tem a ver com isto. Por mais chato que seja, é chato, confesso, não é bom. Mas, é o Adão cocriador, administrador, a parábola do administrador. Ele pode ser fiel, fidelidade, fé, é a mesma palavra, fiel, fidelidade, fé, é a mesma palavra, ou infiel.

E, aqui, a gente termina o segundo episódio da segunda temporada. Até a próxima.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Respostas

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Hide picture